Por que não jogamos mais Monopoly
Um balanço honesto sobre o jogo que arruinou mais noites do que o mau tempo.
A última noite com Monopoly
Foi em uma noite de sábado em março. Quatro pessoas, salgadinhos demais, Monopoly na mesa. Parecia uma noite de jogos completamente normal. E era. Até a terceira hora.
Jens estava há uma hora e meia sentado com seus três terrenos no canto da rua mais barata, esperando que alguma coisa acontecesse. Spoiler: não aconteceu nada. Nesse tempo ele ouviu dois episódios completos de podcast. Com um ouvido só. Participar do jogo já não era bem a palavra certa.
Do outro lado da mesa, Markus tinha as ruas mais caras do tabuleiro com hotéis em cima. Três de nós estavam praticamente falidos, e cada jogada dos dados era uma roleta-russa. Não o tipo emocionante. O tipo frustrante, em que você já sabe de antemão que vai perder mas ainda assim precisa continuar jogando porque "dá pra se recuperar".
Não dá. Nunca deu.
O momento decisivo chegou perto da meia-noite. Caí na rua do Markus (claro), não consegui pagar o aluguel e quis desistir. "Você não pode simplesmente parar!" Mas posso. E quero. São quase meia-noite, faz uma hora que estou praticamente fora do jogo e só finjo que ainda estou jogando.
O que veio depois foi uma discussão de 20 minutos sobre se é permitido terminar o Monopoly antes da hora. Jens estava do meu lado (ele também não tinha mais nada a perder). Markus achou injusto ("Eu tinha uma estratégia!"). E Sarah, que queria fazer as pazes, também acabou levantando a voz porque ficou "a noite toda aqui à toa".
Naquela noite não jogamos mais nada. Todo mundo foi embora irritado. Na segunda-feira, Markus e eu trocamos uma mensagem rápida. "Foi uma noite estranha." "Foi." Desde então, o Monopoly ficou no fundo do armário. Embaixo do Scrabble, que também ninguém mais toca.
- Todo mundo conhece as regras
- Fator nostalgia
- Demora uma eternidade
- Um ganha, todos os outros sofrem
- Destrói amizades (sem exagero)
O que torna o Monopoly tão terrível
Não me entendam mal: o Monopoly não é fundamentalmente ruim. É simplesmente um jogo dos anos 1930 que nunca foi pensado para ser divertido. (Ok, isso soa duro. Mas a versão original tinha mesmo o objetivo de mostrar o quanto o capitalismo é injusto. Missão cumprida, eu diria.)
O problema pode ser resumido em alguns pontos:
Demora tempo demais. Na caixa diz algo como 60 a 90 minutos. Mentira. Ou isso vale só se todos jogarem exatamente pelas mesmas regras (ninguém faz isso) e ninguém inventar regras da casa (todo mundo faz isso). Nossa média ficava em quase três horas. Três. Horas. Para um jogo de dados.
A partir da segunda hora, metade dos jogadores já está eliminada. Esse é o erro de design real. O Monopoly não tem nenhum mecanismo de recuperação. Quem compra as ruas certas logo no começo ganha. Todos os outros ficam mais duas horas sentados assistindo seu dinheiro sumir devagar. Isso não é um jogo, é um exercício de paciência.
Ninguém sabe as regras direito. Estacionamento grátis não dá dinheiro. Se alguém não comprar uma propriedade, ela vai a leilão. O imposto predial é um valor fixo. Vocês sabiam de tudo isso? A gente não sabia. E cada grupo tem suas próprias regras da casa, que geralmente deixam o jogo ainda mais longo.
Vira pessoal. Negociar no Monopoly não é uma troca amigável. É psicologia. "Te dou essa rua se você me der aquela." "Nem morto, você coloca hotel lá na hora." E de repente você não está mais negociando ruas de plástico, está negociando confiança. Em uma noite de jogos. À meia-noite menos vinte.
O ponto de virada
Depois daquela noite de março, decidimos: vamos comprar jogos novos. Jogos de verdade. Feitos por pessoas que sabem o que estão fazendo. O orçamento era 100 euros, e fizemos o melhor investimento da vida das nossas noites de jogos.
Sarah (sim, a Sarah que estava brava) foi quem mais se envolveu. Leu resenhas, assistiu vídeos no YouTube, vasculhou fóruns. Voltou com uma lista de jogos que tinham uma coisa em comum: sem esperas intermináveis, decisões de verdade, e duração máxima de 90 minutos. Se você também está querendo organizar uma noite de jogos, já sabe: a escolha dos jogos faz toda a diferença.
O que colocamos na mesa no lugar
Catan
Catan foi nossa porta de entrada. E o que posso dizer: na primeira noite com Catan, ninguém olhou para o relógio uma única vez. O jogo dura quase 90 minutos, mas parece 30, porque você está o tempo todo negociando, planejando e xingando (no bom sentido).
O que o Catan faz melhor do que o Monopoly? Você tem decisões reais. Não "vou jogar o dado e cair em algum lugar", mas "construo uma aldeia agora ou economizo para uma cidade". E o comércio funciona porque os dois lados ganham alguma coisa. No Monopoly você troca por desespero. No Catan, por tática.
Claro, azar nos dados existe aqui também. Se o número do seu melhor terreno simplesmente nunca sair, dá raiva. Mas mesmo com azar você tem opções: pode negociar, replanejar, adotar outra estratégia. No Monopoly, azar significa: você cai na rua mais cara e o jogo acabou pra você.
Única desvantagem: máximo quatro jogadores sem expansão. Mas com quatro é o melhor mesmo.
- O comércio gera interação real
- Cada partida é diferente
- Duração justa
- Máximo 4 jogadores (sem expansão)
- Azar nos dados pode irritar
Ticket to Ride
Ticket to Ride é o jogo com o qual convencemos pessoas que dizem "eu não sou de jogar jogos de tabuleiro". As regras são explicadas em cinco minutos (realmente cinco, não os "cinco minutos" que na verdade são vinte), e depois de uma rodada todo mundo entendeu o princípio.
Você coleta cartas e constrói rotas de trem entre cidades. Só isso. É o jogo inteiro. Mas de alguma forma é incrivelmente satisfatório completar sua rota. E aquele momento em que alguém rouba a última ligação bem na sua frente? Clássico. "NÃO! Aquela era MINHA rota para Marselha!" Markus, aliás, foi o primeiro a gritar isso. O mesmo Markus que antes dizia achar jogos de tabuleiro chatos.
O que eu gosto especialmente: é descontraído. Você fica ali, coletando cartas, planejando sua rota. Sem pressão de tempo, sem confronto (bem, quase nenhum). Perfeito para as noites em que você não quer pensar tanto.
- Regras explicadas em 5 minutos
- Atmosfera descontraída
- Duração agradável
- Pouca interação direta
Carcassonne
Carcassonne é nossa dica secreta para qualquer momento. 30 a 45 minutos, regras simples, mas surpreendentemente tático. Você encaixa peças em uma paisagem que vai crescendo e coloca pequenas figuras nela para marcar pontos. Parece seco? Não é.
O momento em que você rouba a cidade enorme que alguém construiu por três rodadas, infiltrando habilmente seu próprio meeple ali dentro? Não tem preço. Jens faz isso em toda partida. Pelo menos uma vez. Ele chama de "construção tática colaborativa"; a gente chama de outro nome.
O que torna o Carcassonne especial: ele cresce. Você começa com uma peça e no fim tem uma paisagem completa sobre a mesa. Tem algo de criativo nisso. Às vezes tiramos uma foto depois do jogo, só porque ficou bonito mesmo.
E sim, contar pontos no final é chato. Verdade. Mas pra isso existem aplicativos. Problema resolvido.
- Simples, mas tático
- Duração curta
- Relaxante e ainda assim emocionante
- Contar pontos no final cansa
Nossa conclusão
O Monopoly ainda está no armário. Lá no fundo. De vez em quando alguém olha para ele e diz "será que a gente..." e aí todo mundo fala ao mesmo tempo: "Não."
O que aprendemos: um bom jogo mantém todos os jogadores envolvidos o tempo todo. Parece óbvio, mas não é. O Monopoly não consegue fazer isso. Catan, Ticket to Ride e Carcassonne conseguem. E nossas noites de jogos mudaram completamente desde então. Melhor. Mais curtas (no bom sentido). E sem discussões à meia-noite sobre se é permitido parar agora.
Se você ainda joga Monopoly: experimente algo novo. De verdade. Gaste 30 euros no Carcassonne ou no Ticket to Ride e veja o que acontece. E se preferir pular toda a preparação, existem vários jogos sem preparação -- basta o celular.
Suas histórias com Monopoly
Aparentemente não somos os únicos com trauma de Monopoly.
"Lá em casa, meu cunhado virou a mesa no Natal passado. Literalmente. Hotéis e notas de dinheiro por todo lado. Desde então, o Monopoly está oficialmente proibido nos encontros de família."
Patrick de Munique
"Faz dois anos que só jogamos Catan e Ticket to Ride. Desde então, todo mundo realmente quer vir para a noite de jogos. Antes tínhamos que convencer as pessoas."
Lisa & Franzi
"Minha namorada e eu quase terminamos por causa do Monopoly. Sem brincadeira. Ela 'administrava' o banco e se dava crédito. O Carcassonne nos salvou."
Hendrik